Olá pequenos roedores.

Como estão esses níveis de açúcar no sangue? Beeeem aposto. Nada como comer uns Clusters com leite logo pela manhã, para criar aquela inflamação básica intestinal, que tanto está na moda.

Pois bem, é sobre isso que vos venho falar hoje. Não sobre alimentação e flora intestinal mas sobre os clusters que vos apresentei no texto anterior. Decidi desenvolver um pequeno apontamento acerca do cluster de Laslett e do cluster de Wurff. Nele podem encontrar quais os testes que fazem parte de cada cluster assim como, uma breve descrição de cada um deles. Para que possam por em prática e ter guardado no vosso SMARTphone (vá sejam lá smart e façam o download do documento) para usarem sempre que necessário.

Descarregar apontamentos

Vou deixar-vos apenas algumas considerações. A aplicação do cluster de Laslett segue o algoritmo por forma, a evitar que se façam os testes desnecessários aos utentes. O RCT que serve de base ao cluster de Laslett, tem como premissa efetuar numa primeira fase o teste de distração (mais específico) e o thight thrust test (mais sensível). Consoante o resultado apresentado no mesmo, devemos seguir os passos indicados na ilustração e, que em última instância, nos permitirão concluir se a dor é de origem sacro-íliaca ou, se pelo contrário não tem relação com a mesma.

 

Importante referir que o autor alerta que em caso de pacientes com dor severa em todos os movimentos corporais, a dor aparecerá sempre independentemente dos testes que realizemos, pelo que temos de ter cuidado com a aplicação do cluster sendo que a dor poderá ter outra origem e o comprometimento da ASI deverá ser visto com algum ceticismo.

 

Alertar ainda para o facto de que o aumento ou diminuição da dor na resposta ao segundo, terceiro e quarto teste não deverá ser tida como um “confounding factor”. Este será um dos interesses dos próximos estudos, saber se deveremos dar algum espaçamento temporal entre os testes e não os efetuar todos de seguida.

 

Para finalizar a IASP (international association for the study of pain) tem proposto os seguintes critérios para o diagnóstico de dor SI.

1- Dor presente na região da ASI;

2- Utilizar testes provocadores de dor para o diagnóstico de disfunção SI;

3- Infiltração anestésica seletiva na ASI por forma a confirmar o diagnóstico em caso de desaparecimento de dor após a aplicação.

 

De referir a bem do rigor científico que existe um outro cluster, o de CIBULKA, datado de 1999, que apresenta resultados positivos para o diagnóstico de disfunção SI.

O mesmo pode ser encontrado no seguinte link:

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10322583

 

E agora perguntam vocês e muito bem porque eu não incluí o cluster no apontamento. Sobretudo porque este cluster apenas integra testes de movimentos para a SI. Não integra nenhum teste de provocação de dor. E como vos referi no post anterior, os testes de movimento para a SI não são fiáveis. Para além do mais, a metodologia do estudo apresenta vários viés e, para finalizar, dois dos testes utilizados têm como referência a medição do comprimento dos membros inferiores através da palpação de referências ósseas e adicionando numa segunda fase o movimento da coluna lombar, caso se verifique alteração colocam a hipótese de um aumento do tamanho do segmento ser devido a um íliaco posterior. Parecem-me dois testes bastante suspeitos. No entanto, fico a aguardar a vossa opinião.

 

Fiquem bem, e cuidem das favolas que um roedor sem incisivos fortes não é nada. Passem lá um fio dentalzinho 😀

 

P.S. Deixo aqui também o RCT de Laslett para quem quiser consultar

http://vompti.com/wp-content/uploads/2014/04/Diagnosis-of-SIJ-Pain.pdf