Gosto desta quadra! Gosto da nostalgia e sobretudo da melancolia que ela me traz. Gosto das pantufas de lã típicas da beira, do rabo virado para a lareira à espera de ficar esburacado por corcódeas, do divagar da mente por vivências e momentos passados. Acho que chego mesmo a deprimir, enrolado numa manta de trapos como só a mãe Emília sabe fazer, enquanto as minhas irmãs jogam à guerra dos tronos com o lugar principal do sofá.

 

Adoro a sensação de me deixar levar ao fundo do poço, de fazer corpo morto e afundar lentamente. De “re-ver” a vida espelhada nos meus olhos e do meu ser emocional disparar o play do filme da minha vida. Quando chego ao fundo, mantenho-me em apneia. Começo lentamente, numa sofreguidão a mover os pés por forma a iniciar o contacto com o fundo do poço. Pouso os pés e curvo-me numa posição fetal. Quase que me sinto a regredir a um estado embrionário. De repente, soam os alarmes. O SNVegetativo desperta. Sinto as veias a encherem-se de sangue, de garra, de força de vontade, de energia. Pulso e finco o pulso. E num de repente, empurro o meu corpo com toda a minha força para os pés, de modo a criar um efeito alavanca que me irá ajudar a subir, esguio, em direção à superfície. Às vezes é preciso ir ao fundo para dar o impulso certo para depois voltar à tona mais rápido.

 

Este ano de 2018 foi sem dúvida uma montanha-russa de altos e baixos, de início lento e disparo rápido. Foi de cortar a respiração mas de ficar viciado em tanta adrenalina e de no final fazer birra por querer mais. Querer continuar a andar ad eternum.

 

O Mãozinhas virou realidade com a presença em dois momentos muito especiais. Nas Jornadas Pré-ENEFt e no ENEFt 2018. Foi sem dúvida uma estreia marcante. Nunca tinha pisado um “palco” e confesso que foi uma sensação única e maravilhosa. Sinto que o saldo foi positivo. Nunca nos meus sonhos mais remotos iria poder abordar temas como a emoção, personalidade e comunicação enquanto incentivava a plateia a fazer um origami em forma de coração. E foi de coração que me entreguei a essas iniciativas. Cada uma das duas preleções levou horas de trabalho a ser desenhadas e construídas. Perdi conta às vezes que treinei as apresentações, que as filmei, que as critiquei, que as modifiquei. Coloquei nelas todo o meu esforço, toda a minha dedicação, em suma todo o meu trabalho. E essa é sem dúvida a palavra que define o meu ano.

 

Sei que não sou um sobredotado, que não sou o the chosen one. Sei que a minha maior virtude é a resiliência. É a capacidade de trabalhar, de colocar no que faço toda a minha alma. Porque o faço com gosto e com amor. E isso é de longe uma vantagem competitiva enorme.

 

No início do ano, propus-me abraçar os dias e as horas que o constituiriam como um polvo. A ideia passava por conseguir abrir os meus tentáculos e chegar o mais longe possível. Chegar a e às pessoas. Tocar-lhes e ajudá-las no seu caminho. Saber que esse toque simples as modificará e deixará as marcas necessárias para se lembrarem que um dia cruzaram o seu caminho com o meu. E desse cruzamento saímos os dois mais ricos em vivências, em experiências em vida. Sinto que ganhei mundo durante este ano. Sorri, chorei, ouvi e desabafei. Lembro-me de numa das minhas primeiras aulas de introdução à profissão ouvir dizer que devia separar o pessoal do profissional. Pois falhei redondamente. Envolvi-me com cada pessoa que entrou na clínica, preocupei-me e dei sempre o meu melhor, e mesmo assim falhei imensas vezes. E ainda bem que falhei. Porque foi nesse momento que mais aprendi.

 

Trabalhei 16 horas seguidas, respondi a 50 mensagens por dia, sofri por wi-fi agarrado aos live trackings dos “meus atletas” enquanto se superavam. Não me arrependo nem por um segundo das horas de sono perdidas. Não é saudável, não é aconselhado e prometo que irei tentar mudar. Mas foi necessário. E por vezes O QUE TEM DE SER TEM MUITA FORÇA.

 

Essencialmente, não desisti. E a vocês um muito obrigado por me continuarem a acompanhar nesta jornada que é manter o blog ativo. Obrigado pelas palavras, pelas mensagens, pelos encontros proporcionados e pela aprendizagem. Se a viagem acabasse aqui já teria valido e muito a pena. Mas esta foi só a primeira descida da montanha-russa. Agarrem-se porque o looping está a chegar e nós vamos divertir-nos ao máximo. E em relação a 2019, preparem-se, pois a palavra do ano está decidida. E será OUSADO.

 

Até lá um EIN PROSIT, em homenagem a um dos sonhos que concretizei este ano. A ida ao OKTOBERFEST. Sonham, e vivam. Porque só assim faz sentido.

 

Boas entradas minha gente 😀