Tal como vos havia contado anteriormente, a minha relação com os nervos cranianos (NC) não era a melhor. Tinha alguma dificuldade em vê-los, tanto ao perto quanto ao longe, até ao ponto de quase ficar de olhos em bico. E já que estamos a falar da visão, havia três PC dos quais tinha um profundo desconhecimento: o Motor Ocular Comum (III), o Patético (IV) e o Motor Ocular Externo (VI). O que me fascinou mais, foi sem dúvida a relação que cada um estabelece com os diferentes músculos do olho e as repercussões que as lesões dos mesmos podiam causar em termos do alinhamento cervical e consequentemente ao nível da postura.

O Motor Ocular Comum (NC III) tem uma função motora (m. reto superior, reto inferior, reto medial, oblíquo inferior e elevador da pálpebra superior) e parassimpática através do gânglio ciliar para o músculo liso do esfíncter da pupila (essencial para a função de acomodação). Após sair do mesencéfalo, este cruza a dura mater para entrar lateralmente ao seio cavernoso, passa pela fissura esfenoidal e entra na órbita através da fissura orbital superior. A lesão do MOC resulta numa paralisia oculomotora ipsilateral responsável pelos seguintes sintomas: estrabismo lateral, impossibilidade de mover o globo ocular no sentido cefálico, caudal ou medial, ptose, midríase, ausência do reflexo pupilar e perda da capacidade de acomodação. As causas da lesão do nervo podem ser o aumento súbito da pressão intra cranial (p.e. hematoma subcondral), aneurisma da artéria cerebral posterior e superior, infeção do seio cavernoso ou a compressão do nervo num dos pontos do seu trajeto.

O Patético (NC IV) tem apenas a função motora do músculo oblíquo superior e tem como curiosidade, ser o mais pequeno dos nervos cranianos. O seu núcleo tem origem no mesencéfalo caudal ao núcleo do motor ocular comum. Ao sair do mesencéfalo passa anteriormente ao tronco cerebral, perfura a tenda do cerebelo e caminha pela parede externa do seio cavernoso, atravessando a fissura esfenoidal até chegar à fissura orbital superior e termina no músculo supracitado. O patético tem a curiosidade de juntamente com o nervo de arnold, participar na sensibilidade da dura mater. É o responsável pela abdução, depressão e rotação medial do globo ocular. As lesões isoladas do patético são raras, sendo que é frequente existir a lesão deste nervo juntamente com a lesão do NC III e VI. A lesão do NC IV pode causar desvio do globo ocular no sentido cefálico, incapacidade de mover o globo ocular inferiormente e medialmente, diplopia (máxima quando se olha para baixo). Desta forma, na diplopia a cabeça estará inclinada e rodada para o lado são.

Por fim, o Motor Ocular Externo (NC VI) tem apenas função motora do músculo reto lateral. Tem origem no tronco cerebral entre a ponte e o bulbo perto do 4º ventrículo e medial ao nervo facial. O nervo cruza a dura mater e penetra o seio cavernoso onde se coloca em contacto com a carótida externa. Passa na fissura esfenoidal e termina no músculo reto lateral. É o responsável pelo movimento de abdução do globo ocular. A lesão do MOE pode causar estrabismo, perda do movimento de abdução, diplopia sendo que o sujeito roda neste caso a cabeça para o lado da lesão.

Bem sei que são muito pequenos porMAIORES, ainda para mais numa altura de calor que coincide com a altura em que o Memofante é retirado de comercialização. UPS, não é o Memofante, é o Ferrero Rocher. Esta memória já não é o que era 😀

Espero que os apontamentos vos sejam úteis, bons estudos!

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Referências bibliográficas:

  • RICARD, François. Tratado de Osteopatia Craneal. Articulação Temporomandibular. 3ª edição.
  • MOORE, K. L.; DALLEY, A. F. Anatomia orientada para a clínica. 5 ª edição.
  • CROIBIER, Alain; BARRAL, Jean-Pierre. Manual Therapy for Cranial Nerves. 1ª edição